Alopecia Androgenética Masculina: Entenda as causas, o diagnóstico e as opções de tratamento
“Alopecia Androgenética é a causa mais comum de perda de cabelos em homens, afetando cerca de 50% da população masculina aos 50 anos.” - Dr Fernando Henrique Canhoto Alves, médico dermatologista (São Paulo-SP) membro titular da Sociedade Brasileira de Dermatologia (SBD) e da Sociedade Brasileira de Cirurgia Dermatológica (SBCD).
A perda de cabelo é uma das queixas mais frequentes nos consultórios dermatológicos e afeta diretamente a autoestima e a autoimagem masculina. Conhecida popularmente como calvície, a Alopecia Androgenética é a causa mais comum de perda de cabelos em homens, afetando cerca de 50% da população masculina aos 50 anos.
Apesar de ser uma condição crônica e progressiva, o avanço da tricologia (área da dermatologia que estuda os cabelos) permite hoje diagnósticos precisos e tratamentos altamente eficazes para retardar a evolução e recuperar a densidade capilar.
Fisiopatologia: O Mecanismo Biológico
Para compreender o tratamento, é fundamental entender o que ocorre no couro cabeludo. A alopecia androgenética não é apenas "queda de cabelo", mas sim um processo de afinamento e superficialização do bulbo capilar progressivo.
O processo envolve três protagonistas principais:
Predisposição Genética: A sensibilidade dos folículos é determinada por genes herdados tanto do lado paterno quanto materno.
Androgênios (Hormônios): A Testosterona é convertida em Di-hidrotestosterona (DHT) pela ação da enzima 5-alfa-redutase e age nos folículos geneticamente susceptíveis a esses hormônios, levando à:
Miniaturização Folicular: Em homens predispostos, o DHT liga-se aos receptores do folículo piloso, encurtando a fase de crescimento (anágena) e provocando a miniaturização em áreas específicas do couro cabeludo, sendo mais comum, a fronto-temporal (entradas) e fronto-temporo-parietal, como ocorreu com o príncipe Guilherme (William) da Inglaterra.
O que é a Miniaturização? É o processo onde o fio se torna progressivamente mais fino, curto e superficial a cada ciclo, até que o folículo atrofia e deixa de produzir fios terminais, que conhecemos como cabelos.
“Miniaturização Folicular: Em homens predispostos, o DHT liga-se aos receptores do folículo piloso, encurtando a fase de crescimento (anágena) e provocando a miniaturização em áreas específicas do couro cabeludo, sendo mais comum, a fronto-temporal (entradas) e fronto-temporo-parietal, como ocorreu com o príncipe Guilherme (William) da Inglaterra. ” - Dr Fernando Henrique Canhoto Alves, médico dermatologista (São Paulo-SP) membro titular da Sociedade Brasileira de Dermatologia (SBD) e da Sociedade Brasileira de Cirurgia Dermatológica (SBCD).
Quadro Clínico e Padrão de Evolução
Diferente de outros tipos de alopecia, a androgenética segue um padrão previsível, classificado clinicamente pela Escala de Hamilton-Norwood.
Os sinais clássicos incluem:
Recessão Frontotemporal: O surgimento das famosas "entradas" na linha anterior do cabelo.
Rarefação do Vértice: Diminuição da densidade na região da "coroa" (topo da cabeça).
Preservação da Área Occipital: Manutenção dos fios na região da nuca e laterais baixas, áreas que geralmente são geneticamente resistentes à ação do DHT (sendo estas as áreas doadoras para transplantes).
Escala de Grau de Calvície de Hamilton-Norwood - Dr Fernando Henrique Canhoto Alves, médico dermatologista (São Paulo-SP) membro titular da Sociedade Brasileira de Dermatologia (SBD) e da Sociedade Brasileira de Cirurgia Dermatológica (SBCD).
Diagnóstico e Exames Complementares
O diagnóstico da alopecia androgenética é eminentemente clínico, mas o uso de tecnologias é essencial para confirmar o estágio e descartar outras patologias (como eflúvio telógeno ou alopecia areata).
1. Tricoscopia (Dermatoscopia do Couro Cabeludo)
Este é o exame complementar realizado já na primeira consulta. Através de lentes de aumento, o médico observa:
Anisotriquia: A presença de fios de diferentes diâmetros (fios grossos e finos misturados), fios miniaturizados (finos) junto com fios ainda terminais, inicialmente, na mesma unidade folicular.
Sinais inflamatórios: Descamação ou vermelhidão que podem agravar a queda e alertam para diagnósticos diferenciais, embora, na maioria das vezes, trata-se de dermatite seborreica, mais conhecida como “caspa”.
“Sinais inflamatórios: Descamação ou vermelhidão que podem agravar a queda e alertam para diagnósticos diferenciais, embora, na maioria das vezes, trata-se de dermatite seborreica, mais conhecida como “caspa”.” - Dr Fernando Henrique Canhoto Alves, médico dermatologista (São Paulo-SP) membro titular da Sociedade Brasileira de Dermatologia (SBD) e da Sociedade Brasileira de Cirurgia Dermatológica (SBCD).
2. Exames Laboratoriais
Embora a calvície masculina seja genética e não necessariamente ligada a "problemas de saúde", exames de sangue podem ser solicitados para excluir carências nutricionais (Ferro, Vitamina D, B12), alterações tireoidianas ou hormonais que possam estar acelerando o processo. O teste do VDRL e FTA abs para descartar sífilis secundária é essencial nos casos mais difusos. Eventualmente pode ser necessária biópsia do couro cabeludo, sobretudo quando houver suspeita de associação com outras alopecias, como as cicatriciais, que levam a vermelhidão e descamação mais intensa no couro cabeludo.
3. Pull Test (Teste de Tração)
Realizado durante a consulta para verificar se há uma queda ativa de fios (eflúvio) associada à calvície. É feito com a tração gentil, porém firme, de 20 a 30 fios em mechas de diferentes pontos do couro cabeludo e examinados os fios que caem, quanto a saúde da cutícula (se não foram quebrados por tratamentos químicos), e ao tipo de “raiz do fio”, se ele é do tipo telógeno ou anágeno. O ideal é que o paciente esteja há 2-3 dias sem lavar os cabelos para que o resultado seja fidedigno. Não que o dermatologista não vá dar aquela puxadinha no seu cabelo. Dificilmente, você escapa dessa.
“Anisotriquia: A presença de fios de diferentes diâmetros (fios grossos e finos misturados), fios miniaturizados (finos) junto com fios ainda terminais, inicialmente, na mesma unidade folicular.” - Dr Fernando Henrique Canhoto Alves, médico dermatologista (São Paulo-SP) membro titular da Sociedade Brasileira de Dermatologia (SBD) e da Sociedade Brasileira de Cirurgia Dermatológica (SBCD).
Abordagem Terapêutica
O tratamento deve ser individualizado e visa, principalmente, interromper a miniaturização e estimular o espessamento dos fios existentes, com menor ciclagem dos fios de fase de crescimento (anágena) para fase de queda (telógeno). Assim, os fios crescem por mais tempo e superficializam e afinam menos.
Terapêutica Medicamentosa
Inibidores da 5-alfa-redutase (Finasterida e Dutasterida): Medicamentos orais que reduzem a conversão de testosterona em DHT, atacando a causa raiz do problema. São fundamentais para a manutenção dos fios a longo prazo.
Minoxidil (Tópico ou Oral): Vasodilatador que prolonga a fase de crescimento do fio e melhora a nutrição folicular.
Procedimentos Clínicos
Para potencializar os resultados, procedimentos em consultório são frequentemente associados:
MMP® (Microinfusão de Medicamentos na Pele): Entrega de ativos (vitaminas, fatores de crescimento e bloqueadores enzimáticos) diretamente no bulbo capilar através de microagulhamento.
Laser de Baixa Potência (LLLT): Fotobioestimulação que melhora a atividade celular e a oxigenação do tecido.
Transplante Capilar
Indicado para áreas onde já houve perda definitiva do folículo (onde o tratamento clínico não consegue recuperar). A técnica mais moderna, FUE (Follicular Unit Extraction), retira unidades foliculares da área doadora e as implanta na área calva, com resultados naturais e definitivos.
Conclusão
A Alopecia Androgenética é uma condição tratável. O fator mais importante para o sucesso terapêutico é a brevidade no diagnóstico, aliada ao tratamento correto e continuidade do mesmo, já que a interrupção do tratamento, sobretudo farmacológico, que não muda a genética, resulta no retorno do ciclo geneticamente determinado para aquele fio: maior frequência de queda e, assim, miniaturização até deixar de existir… ficou careca.
Quanto mais cedo o tratamento for iniciado, maior é a preservação da densidade capilar. Automedicação ou o uso de "fórmulas milagrosas" podem atrasar o diagnóstico correto e levar à perda irreversível de folículos. Além do mais, diagnósticos diferenciais potencialmente reversíveis com o tratamento precoce e irreversíveis se diagnosticados tardiamente devem ser feitos pelo médico especialista em Dermatologia para garantir a cabeleira volumosa, esvoaçante e bela.