Orelha Fendida (rasgada)? Descubra Como Recuperar o Lóbulo e Voltar a Usar Seus Brincos Favoritos!
“Fenda Total (Completa): Ocorre quando o lóbulo se divide completamente em duas partes, perdendo sua margem inferior.” - Dr. Fernando Henrique Canhoto Alves, dermatologista titular da Sociedade Brasileira de Dermatologia e da Sociedade Brasileira de Cirurgia Dermatológica, São Paulo-SP
Sabe aquele maxi brinco deslumbrante que transforma qualquer look, ou aquela joia de família que você adora? O uso frequente desses acessórios, infelizmente, pode cobrar um preço alto da beleza das nossas orelhas. O lóbulo da orelha fendido — popularmente conhecido como "orelha rasgada" — é uma queixa frequente nos consultórios dermatológicos e de cirurgia plástica, afetando diretamente a autoestima e a liberdade de usar os acessórios que tanto amamos desde tempos ancestrais.
Se você notou que o furo do seu brinco está "esticando" ou se o lóbulo já se dividiu, não se preocupe: existe solução, e ela é mais simples do que parece. Vamos entender tudo sobre esse problema e como resolvê-lo com elegância e segurança.
O Que É e Por Que Acontece?
O lóbulo da orelha é uma das áreas mais delicadas e móveis do corpo, composta por pele e tecido adiposo, sem cartilagem para dar sustentação. A fisiopatologia do lóbulo fendido geralmente envolve um processo lento e contínuo. O uso constante de brincos pesados ou traumas súbitos (como enroscar o brinco na roupa, escovas de cabelo ou até puxões de bebês) forçam a pele para baixo.
Com o tempo, ou após um trauma agudo, o orifício do brinco se alonga. O problema se torna crônico porque as bordas dessa ferida cicatrizam (epitelizam), criando uma fenda permanente que não fecha sozinha. Embora o envelhecimento intrínseco e fatores de estilo de vida possam afetar a qualidade da pele, as fontes indicam que a causa principal é mecânica: o uso contínuo de brincos pesados ou traumas acidentais.
“Fenda Parcial (Incompleta): É quando o furo do brinco está apenas alargado ou alongado, mas a borda inferior do lóbulo ainda está intacta.” - Dr. Fernando Henrique Canhoto Alves, dermatologista titular da Sociedade Brasileira de Dermatologia e da Sociedade Brasileira de Cirurgia Dermatológica, São Paulo-SP
Diagnóstico: Fenda Parcial ou Total?
O diagnóstico é clínico e visual, classificando o problema em dois tipos principais para definir o tratamento ideal:
Fenda Parcial (Incompleta): É quando o furo do brinco está apenas alargado ou alongado, mas a borda inferior do lóbulo ainda está intacta.
Fenda Total (Completa): Ocorre quando o lóbulo se divide completamente em duas partes, perdendo sua margem inferior.
A Solução: Tratamento Cirúrgico no Consultório
A boa notícia é que a correção é um procedimento acessível e com alto índice de satisfação. O tratamento de escolha é cirúrgico, pois cremes ou tratamentos tópicos não conseguem fechar uma fenda já epitelizada.
Como é feito o procedimento? A cirurgia pode ser realizada no próprio consultório do dermatologista ou cirurgião, sob anestesia local, o que torna o processo muito mais tranquilo para o paciente.
O médico utiliza técnicas delicadas para remover a pele cicatrizada de dentro da fenda e "refrescar" as bordas, permitindo que elas sejam costuradas novamente. Existem diversas técnicas refinadas para garantir um resultado estético perfeito e evitar que a cicatriz se retraia e forme um "degrau" na borda da orelha:
Fechamento Direto: Para fendas simples, onde as bordas são unidas lado a lado.
Zetaplastia ou L-plastia: Técnicas que utilizam pequenos retalhos de pele para dar maior sustentação e melhorar a estética da cicatriz, evitando deformidades.
Preservação do Furo: Em alguns casos, é possível manter o orifício do brinco durante a cirurgia, utilizando retalhos especiais, embora muitos profissionais prefiram fechar tudo e refurar depois para garantir maior resistência.
Uma "pérola" cirúrgica moderna é a possibilidade, em casos selecionados, de realizar o re-piercing imediato (refurar a orelha) no momento da cirurgia, utilizando brincos estéreis específicos, o que aumenta a satisfação de quem não quer ficar sem usar joias durante a recuperação.
Reparo do Lóbulo da Orelha: Um Guia Visual para a Correção de Fendas - Dr Fernando H C Alves, dermatologista SBD e SBCD.
Resultados Esperados e Pós-Operatório
Os resultados costumam ser excelentes, devolvendo o contorno natural e arredondado do lóbulo. No entanto, o sucesso da "plástica do lóbulo" depende muito dos cuidados em casa.
O que fazer no pós-operatório (Dicas de Ouro):
1) Higiene: Mantenha a área limpa e seca. O uso de pomadas antibióticas ou vaselina (petrolatum) ajuda a manter a incisão protegida.
2) Estilo de Vida: O tabagismo (fumar) é estritamente desaconselhado, pois prejudica a circulação e a cicatrização da pele.
3) Repouso: Dormir com a cabeça elevada nas primeiras 48 horas ajuda a reduzir o inchaço.
4) Paciência com os Brincos: Se o furo foi fechado, recomenda-se esperar cerca de 6 meses antes de furar a orelha novamente no local da cicatriz ou 2 meses para usar brincos de pressão.
5) Proteção Solar: Evitar exposição solar direta na cicatriz recente é fundamental para evitar marcas escuras.
Recuperar a beleza das orelhas é um ato de autocuidado. Se você sofre com lóbulos rasgados, procure um especialista. É um detalhe pequeno, mas que faz toda a diferença na hora de compor o seu visual!
Bora agendar uma visita? Essa cirurgia pode ser feita no próprio consultório, a anestesia é local e o paciente pode voltar ao trabalho logo em seguida, caso trabalhe em ambiente protegido do sol, sem pegar peso, preferencialmente com ar condicionado. O bebê puxou? A gente restaura!
Até o próximo post do Dermablog =)
Fernando.