A Pele dos Sonhos: O guia completo para entender, prevenir e tratar os queloides

“… lesão espessa que não respeita os limites do machucado original, crescendo para os lados e invadindo a pele saudável.” - Dr. Fernando Henrique Canhoto Alves, dermatologista titular da Sociedade Brasileira de Dermatologia e da Sociedade Brasileira de Cirurgia Dermatológica, São Paulo-SP

Quem nunca desejou uma recuperação tranquila e uma pele perfeita após aquele pequeno procedimento estético, um furo na orelha ou uma cirurgia necessária? Porém, para muita gente, o processo de cicatrização pode se tornar um verdadeiro desafio estético e emocional com o surgimento dos queloides. Essas marcas elevadas e endurecidas podem abalar a autoestima, mas a boa notícia é que a medicina evoluiu muito e hoje existem caminhos eficazes para recuperar a harmonia da sua pele.

Mergulhamos nas pesquisas mais recentes para explicar o que acontece no seu corpo e detalhar o "menu" de tratamentos disponíveis nos consultórios.

O Que é, Afinal, o Queloide?

Imagine que sua pele é uma fábrica em atividade constante. Após um corte ou cirurgia, ela convoca "operários" (fibroblastos) para produzir colágeno e fechar o buraco. No processo normal, o serviço para quando o muro está pronto. No caso do queloide, essa fábrica perde o freio e produz excessivamente,.

O resultado é uma lesão espessa que não respeita os limites do machucado original, crescendo para os lados e invadindo a pele saudável. Diferente da cicatriz hipertrófica — que é altinha, mas respeita as bordas do corte e pode regredir sozinha — o queloide é persistente e raramente desaparece sem tratamento.

Por Que Isso Acontece Comigo?

A ciência explica que se trata de um desequilíbrio: as células produzem muito mais colágeno (cerca de 20 vezes mais) do que o necessário, e o corpo não consegue degradar esse excesso.

A genética é a protagonista dessa história. Pessoas de pele mais pigmentada (negros, asiáticos e hispânicos) têm uma tendência muito maior a desenvolver essas marcas. Além disso, certas áreas do corpo onde a pele sofre mais tensão, como lóbulos da orelha, ombros, costas e o tórax (região pré-esternal), são os "palcos" favoritos para o surgimento dessas lesões.

O Olhar Clínico: Como é feito o Diagnóstico

Não são necessários exames complexos para identificar um queloide. O diagnóstico é essencialmente clínico: o médico observa a aparência elevada, a cor (que pode ser avermelhada ou rosada) e a consistência endurecida. Além da questão visual, o queloide costuma incomodar fisicamente, causando sintomas como coceira, dor e sensibilidade ao toque.

“… a aplicação de toxina botulínica tipo A ajuda a reduzir a tensão na ferida e regula a atividade das células, melhorando a aparência estética e aliviando sintomas como dor e coceira, com resultados promissores a curto prazo.” - Dr. Fernando Henrique Canhoto Alves, dermatologista titular da Sociedade Brasileira de Dermatologia e da Sociedade Brasileira de Cirurgia Dermatológica, São Paulo-SP

O Menu de Tratamentos: As Melhores Opções

O tratamento de queloides é um desafio e, muitas vezes, não existe uma "bala de prata". O sucesso geralmente vem da combinação de técnicas. Confira as terapias consagradas e as novidades que estão brilhando nos consultórios:

1. O Clássico Indispensável: Injeções de Corticoides

Você provavelmente já ouviu falar nas "infiltrações". Trata-se da aplicação de corticosteroides diretamente dentro da cicatriz. É uma terapia padrão que ajuda a reduzir a inflamação e inibir as células que produzem o colágeno, fazendo a lesão "murchar" e ficar mais plana. Embora muito eficaz para aliviar a coceira e reduzir o volume, pode exigir várias sessões e causar clareamento da pele no local (hipocromia).

2. A Solução Cirúrgica (Com Estratégia)

Para queloides muito grandes ou antigos, a remoção cirúrgica pode ser indicada para retirar o tecido excessivo. No entanto, cortar o queloide exige cautela extrema: a taxa de recidiva (o queloide voltar) é alta se a cirurgia for feita isoladamente. Por isso, a operação quase sempre é acompanhada de tratamentos complementares imediatos para impedir que a cicatriz cresça novamente.

3. Radioterapia e Betaterapia: A Prevenção Poderosa

É aqui que entra o par perfeito da cirurgia. A radioterapia local (como a betaterapia) é realizada logo após a remoção do queloide, geralmente nas primeiras 24 a 48 horas,. Ela age destruindo os fibroblastos jovens antes que eles comecem a produção desenfreada de colágeno. Estudos mostram que essa combinação reduz drasticamente a chance de a lesão voltar.

4. O Toque Suave do Silicone

Seja em forma de gel ou placas adesivas, o silicone tópico é considerado a primeira linha de defesa, especialmente para prevenção e cicatrizes mais recentes. Ele mantém a cicatriz hidratada e oclusa (coberta), o que sinaliza para a pele diminuir a atividade da "fábrica" de colágeno. É indolor, fácil de usar em casa e ajuda a clarear e baixar a cicatriz.

5. Quimioterapia Local (5-Fluorouracil)

Para casos mais resistentes, os médicos podem associar o corticoide a um medicamento chamado 5-Fluorouracil (5-FU). Ele inibe a multiplicação das células da cicatriz e tem mostrado resultados excelentes, muitas vezes com menos efeitos colaterais de atrofia da pele do que o uso isolado de corticoides.

6. Toxina Botulínica: Muito Além das Rugas

Sim, o famoso "Botox" também entra nessa luta! Estudos recentes indicam que a aplicação de toxina botulínica ajuda a reduzir a tensão na ferida e regula a atividade das células, melhorando a aparência estética e aliviando sintomas como dor e coceira, com resultados promissores a curto prazo.

7. Congelando o Problema (Criocirurgia)

A criocirurgia usa o frio extremo para destruir o tecido do queloide. A técnica mais moderna, chamada intralesional, usa uma agulha para congelar a cicatriz de dentro para fora. Isso é mais eficaz para reduzir o volume da lesão e tende a causar menos manchas na pele do que o spray superficial.

Queloides e Cicatrizes Hipertróficas: Guia completo para Entender e Tratar - Dr Fernando H C Alves, Dermatologista São Paulo-SP.

Conclusão

Se você tem uma cicatriz que te incomoda, saiba que não precisa conviver com ela para sempre. O segredo para uma pele mais lisa e uniforme costuma ser o ataque combinado, unindo cirurgia, medicamentos e cuidados locais sob a orientação de um dermatologista ou cirurgião plástico. Afinal, sentir-se bem na própria pele é fundamental!

Nota: As informações contidas neste texto têm caráter informativo e não substituem a consulta médica.

Dr Fernando Henrique Canhoto Alves

Dr. Fernando Henrique Canhoto Alves

Médico Dermatologista | CRM-SP 161.605 | RQE 75.178

O Dr. Fernando Henrique Canhoto Alves é médico dermatologista com sólida formação acadêmica pela Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto da Universidade de São Paulo (FMRP-USP), instituição onde também concluiu sua Residência Médica em Dermatologia. Durante sua formação, destacou-se pela produção científica, atuando como pesquisador bolsista da FAPESP na área de imunogenética e doenças bolhosas.

Membro Titular da Sociedade Brasileira de Dermatologia (SBD) e da Sociedade Brasileira de Cirurgia Dermatológica (SBCD), o Dr. Fernando alia a prática clínica à paixão pelo ensino médico. É autor e idealizador da série de livros "Dermanote", obra que se tornou referência no apoio a médicos que se preparam para a rigorosa Prova de Título de Especialista em Dermatologia (TED).

Além da educação médica continuada, o Dr. Fernando também se dedica ao desenvolvimento de alta performance nos estudos. É autor do livro "The Golden Book do Vestibular/Enem" (disponível na Amazon), onde compartilha as estratégias de organização e mentalidade que utilizou para conquistar a aprovação em 1º lugar na Residência Médica.

Em seu consultório em São Paulo, atua com foco em Cosmiatria, Tricologia e Cirurgia Dermatológica. Sua abordagem integra o rigor técnico de quem ensina a especialidade com uma visão humana e personalizada, oferecendo tratamentos que valorizam a naturalidade e a saúde da pele.

https://www.fernandoderma.com
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